Desgraçada, a mãe
Mãe, a desgraçada que renunciou a vida, a juventude, o lazer,
o corpo e a alma por você.
Aquela que rasgou os tempos de paz quando o alimentou com
sua própria vitalidade
Aquela que esmagou as vontades e os anseios para satisfazer
os seus
Ela estraçalha as próprias entranhas, destroça os próprios
ossos
Despedaça seus sonhos
Gasta sua vida
Amordaça seu eu
Vai em frente
Segue em frente
Desmaia cansada
Levanta e continua
Porque quer?
Não...
Porque precisa
Porque não há mais ninguém
Porque você não pediu pra nascer
Porque ela abriu as pernas
Puta merda! 5 minutos e uma responsabilidade para a vida inteira
Puta maldita, você não pediu para vir ao mundo
Puta vadia, você tem uma vida de merda
Puta idiota, não consegue descansar
Não pode parar, você não pediu pra nascer
Desgraçada maldita, ela te deu a vida
Ela te dá a comida
O lar
Seu tempo
Sua vida
Mas não importa, você não pediu pra nascer
É responsabilidade dela te manter
E a sua, fazer da pouca vida, do pouco tempo, um inferno, um
precipício, entre a cruz e a espada
A desgraçada, a maldita, a infeliz, não consegue deixar o
fardo, o desprezo, a humilhação para trás
Não consegue abandonar você
Maldita! Porquê?
Por causa de você.
Autoral, em 20 de setembro de 2021
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